Vamos aos procedimentos.
1- ESCOLHA UM SOFTWARE PARA TE AUXILIAR
Existem vários, os melhores e mais conhecidos são o Beersmith, o Pro Mash e o Beertools (que infelizmente são pagos). No entanto, existem alguns softwares gratuitos espalhados pela rede (agradeçam ao Rafael Aquino pela lista pronta, só acrescentei o beersmith e o Qbrew):
beersmith – Versão antiga mas funcionando!
Acreditem, eles facilitam e muito a sua vida e por isso vale a pena gastar um tempinho aprendendo a usa-los, ademais, eles são razoavelmente intuitivos desde que você tenha uma razoável noção de inglês.
II- DECIDA O ESTILO DE SUA CERVEJA
Na hora da escolha do estilo aconselho pesquisar as características básicas do escolhido na cartilha da BJCP ou da BA (Brewers Association).
Não obstante, aconselho que, na hora da escolha do estilo, você leve em consideração todos os fatores pertinentes como:
- Equipamentos: Sua geladeira é capaz de maturar uma lager? Caso negativo atenha-se as Ales!
- Disponibilidade de insumos: Se você não tem maltes torrados esqueça as Stouts por exemplo!
- Preferência pessoal: Essa é fácil, escolha um estilo que lhe agrade.
- Grau de dificuldade: Prefira estilos fáceis para suas primeiras levas. A maioria começa com uma pale ale que é, digamos, uma ale inglesa genérica. Outra opção seriam cervejas mais escuras como uma brown ale pois conseguem mascarar alguns eventuais off-flavors.
Vejam bem, não vejo problema nenhum em se valer da criatividade na hora de fazer suas receitas, muito pelo contrário apoio essa iniciativa! Porém, convém salientar que esse espírito inovador frequentemente pode não ser conveniente se estiver fazendo sua primeira leva ou ainda não estiver 100% confiante de suas habilidades como cervejeiro. Digo isso pois não é incomum exagerar na dose de determinado ingrediente ou fazer uma, me perdoem a expressão, cagada durante a brassagem. Essas eventualidades podem deixar sua cerveja desbalanceada (como já aconteceu conosco). Resumindo, sinta-se livre para testar e experimentar mas sugiro deixar a criatividade de lado no começo e ir aos poucos dando complexidade em suas cervejas.
A internet é rica em receitas a maioria delas, no entanto, possui uma nomenclatura diferente da que vemos por aqui. Isso ocorre pois no Brasil encontramos, via de regra, grãos da Weyermann enquanto americanos e muitos outros europeus utilizam outros maltarias (como Briess por exemplo).
Use a tabela abaixo para “traduzir” a receita para a nomenclatura que encontramos aqui no Brasil. Aos poucos você vai se acostumar e vai ver que “american 2-row”, “pale malt” e “pilsner malt” são todos maltes base com características praticamente iguais ao que conhecemos aqui como “Malte Pilsen”. 
Ao final da postagem coloquei ótimas fontes de receitas que você pode usar como base.
IV- COMECE A FORMULAR A SUA RECEITA
Ainda que eu tenha dado várias fontes de receitas prontas, penso que, ainda que seja a sua primeira leva, o mais legal é você pesquisar e decidir você mesmo os seus ingredientes!
Para isso use o software que tenha escolhido acima, no meu caso que uso o Beersmith. E vá inserindo os ingredientes da seguinte forma:
1 – Maltes
Comece decidindo os tipos de grãos que você vai usar. Não é difícil, atenha-se ao que sua cerveja pede, se for uma pilsen óbvio que não vai usar malte torrado não é mesmo?
Enfim, é vital seguir as proporções indicadas para cada malte (vide tabela abaixo) sob pena de deixar sua cerveja desbalanceada (certa vez exageramos no malte torrado e tivemos uma cerveja cujo aroma e sabor de café predominaram exageradamente).
OBS: Notem que ao ir acrescentando os grãos em seu software ele vai automaticamente atribuindo características como “OG esperada”, EBC/SRM (cor da cerveja) e etc...
Por fim não se esqueçam de sempre reservar pelo menos 70% dos grãos para maltes base como Pilsen ou Viena, pois são eles que fornecem as enzimas necessárias para conversão do amido em açúcar durante a brassagem.
2 – Lúpulo
Como eu disse, após escolher os grãos e lança-los no programa você vai ter em suas mãos diversas “previsões” de como deve ser a sua cerveja. Com o lúpulo não será diferente pois você conhecerá o IBU que é o índice de amargor em sua cerveja.
No entanto, diferentemente dos maltes não basta definir as quantidades de lúpulo que vão ser utilizadas, você vai ter também que programar em que momento da fervura eles serão adicionados.
A grande maioria dos cervejeiros caseiros fazem 2 adições de lúpulo, uma para o amargor (em geral faltando de 60 e 70 minutos para o fim da fervura) e uma para aroma (em geral faltando apenas 5 minutos). Apenas tome cuidado para não errar a mão e desbalancear o sabor da sua cerveja. Na dúvida consulte a tabela.
3 – Fermento
Esse é fácil. Basta lembrar de não misturar as coisas e simplesmente escolher uma cepa apropriada para o estilo em questão. Se é uma cerveja de trigo o Wb-06 é mais indicado; para uma belga o S-33 ou o T-58 e assim por diante. Consulte a tabela abaixo para uma maior precisão.
4 – Processo de produção
Com os ingredientes escolhidos resta o planejamento do processo de produção decidindo fatores como a quantidade a água, as paradas de temperatura, o tempo e temperatura de fermentação e assim por diante (encontrará mais ajuda sobre a parte da produção em si aqui).
V – RECEITAS DE CERVEJA
Nosso blog contém receita de todas as nossas levas mas obviamente outras fontes são necessárias para diversificar a sua leitura. Abaixo algumas delas
1- Receitas campeãs: Nesse link existe uma coletânea de receitas de homebrewers que foram vencedoras em inúmeros campeonatos nos EUA.
2- E-book: Aqui temos um e-bool com 640 receitas. Aproveite
3- Beer Recipator: Uma das maiores fontes de receitas na internet.
4- Tasty Brew: Outra fonte bastante completa.
5- Byo: A Byo é uma revista sobre homebrewing. Nesse link você tem disponível dezenas de receitas publicadas.
6- Beertools: O beertools disponibilizou uma buscador de receitas bastante amplo e eficiente.
7- Livros: No meu HD virtual coloquei 5 livros de receitas que foram digitalizados confiram!
Bem penso que vocês já tem muitas fontes de pesquisa então, que tal então colocar esse conhecimento em prática?



Bode,
ResponderExcluirA cada postagem sua que leio, vejo o amor e dedicação que tens pela arte e entrerteinimento que escolheste. Com isso, faz com que pessoas como eu que já tem certo interesse busque a envolver-se cada vez mais.
Meus parabéns pelas postagens, espero que esse meu comentário sirva como insentivo para que você continue postando, logo, nos ajudando e também como uma iniciativa para os outros que visitam seu Blog postarem comentários te apoiando para que você continue transmitindo seus conhecimentos para os futuros cervejeiros.
Halisson Miranda
Vlw Halisson !
ResponderExcluirgrande abraço
Muito boas as suas dicas, parabens e obrigado pelos esclarecimentos.
ResponderExcluirLeandro
Simplesmente o melhor post para iniciantes que eu já vi em qualquer site sobre cerveja artesanal. Agradeço pela iniciativa! CONHECIMENTO é o único bem que guardado não serve para nada! Abraços!
ResponderExcluirMauro Seixas
mauroseixas@hotmail.com
Vlw Mauro fico feliz em ter ajudado!
ResponderExcluirFala Bode!
ResponderExcluirÓtimo post! Agora so falta vc fazer um voltado diretamente ao BeerSmith! hehehe
Se resolver fazer um curso, serei seu primeiro aluno!
Grande abraço
Este blog é simplesmente fascinante... Farei minha primeira leva esta semana e com certeza devo muito dela a este blog que acompanho sempre.
ResponderExcluirRafael